Porto de Chancay e a disputa por autonomia: leitura pelo Realismo da Autonomia Periférica (RAP)
O Porto de Chancay (cerca de 80 km ao norte de Lima) foi concebido como um megaporto de águas profundas voltado a encurtar rotas e custos logísticos entre a costa pacífica sul-americana e a Ásia. O projeto foi inaugurado no contexto da APEC de 2024, com forte simbolismo político, e é estruturado como investimento majoritariamente chinês: a Cosco Shipping Ports detém 60% e a peruana Volcan, 40%.
Como ocorre com infraestrutura crítica em Estados periféricos, o porto rapidamente deixou de ser apenas um projeto econômico, e se tornou um símbolo de disputas políticas, já que quem administra, regula, precifica, coleta dados e controla o fluxo de mercadorias controla também margens de manobra do Estado peruano no sistema internacional.
Nessa análise de conjuntura, vamos separar estrutura, conjuntura e fato detonante. A estrutura remete ao pano de fundo relativamente durável da competição sino-americana pela reconfiguração das cadeias globais e dos circuitos de poder associados à logística, tecnologia e finanças, incluindo portos, cabos, governança de dados, shipping, seguros e arenas de arbitragem; a conjuntura, por sua vez, diz respeito ao recorte temporal específico dessa estrutura operando no caso peruano, com a intensificação, entre 2025 e 2026, de disputas jurídicas e regulatórias sobre supervisão estatal, tarifas e condições de concorrência no Porto de Chancay, simultaneamente ao avanço da securitização norte-americana da presença chinesa em infraestruturas críticas na região; por fim, o fato detonante é o evento que acelera e organiza politicamente essas tensões, isto é, a combinação entre decisões e movimentos institucionais que buscam limitar (ou reafirmar) a capacidade de fiscalização do Estado peruano sobre o terminal, convertendo um debate técnico-regulatório em um conflito explícito de soberania funcional e alinhamento estratégico.
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